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México importa Chihuahuas dos Estados Unidos

Primeiro eram os burritos de Kentucky, depois a pimenta tipo chili da China. Agora, o México importa outro de seus símbolos nacionais únicos: a pequena raça de cão conhecida como Chihuahua.

chihuahuas

Alguns pet shops mexicanos começaram a vender chihuahuas criados nos Estados Unidos a clientes de classes de maior poder aquisitivo que pagavam os custos do pedigree norte-americano. As celebridades donas desses cães, como Paris Hilton, fizeram com que os mascotes se convertessem em símbolos de status, e a etiqueta de “importado” aumenta o encanto, afirmam os proprietários de pet shops.
“Às vezes, os clientes querem cães com papéis norte-americanos e chips de identificação implantados, e esses são difíceis de conseguir no México”, diz Mayra Rodriguez, dona da loja Mascota, na cidade de Chihuahua. “Com muita frequência vemos as mesmas espécies que enviamos ao outro lado da fronteira anos atrás”. Quase 30% dos chihuahuas que ela vende vêm de criadores norte-americanos.
A pet shop The Angel, em Juarez, que importa chihuahuas da vizinha El Paso, passa por uma grande escassez de cães com pedigree, diz a dona, Claudia Flores. Outra Loja, Pet Center, em Tijuana, oferece chihuahuas importados por pedidos especiais, conta o encarregado Ángel Salas.
E não somente vendedores próximos à fronteira. A maior cadeia de lojas de animais do México, a Mas-Kota, importa praticamente todos seus chihuahuas de criadores dos Estados Unidos, conta Noé Escalona.
É o último símbolo mexicano que ainda não enfrentava competição, e se une a:

  • A pimenta do tipo chili: Um produto típico da culinária mexicana, um terço das pimentas secas agora são provenientes da Ásia, segundo o Conselho Nacional de Produtores de Chili do México.
  • Burros: Os burros se transformaram em um bem tão escasso em algumas partes do México, que o governo do estado de Jalisco teve que importá-los de Kentucky, Estados Unidos.
  • Poinsettias: A planta popular do Natal tem esse nome por causa do primeiro embaixador dos Estados Unidos no México, Joel Roberts Poinsett, que as levou de volta para seu país. Hoje, as companhias norte-americanas são proprietárias das patentes das variedades mais vendidas.

Durante décadas, o governo mexicano limitou estritamente importações de várias formas para tentar proteger o mercado local. Mas depois do Tratado de Livre Comércio, fixado em 1994, o México abriu seu mercado para os Estados Unidos, Ásia e Europa.
Porém, o México fornece chihuahuas aos Estados Unidos, mas muitos deles são cães de pior qualidade e que são maltratados na passagem pela fronteira, disse Carol Jeffrey, porta-voz do Chihuahua Club Of America.
Somente 250 cães mexicanos de todas as raças foram exportados legalmente aos Estados Unidos ano passado, segundo a Secretaria de Economia do México, enquanto a popularidade dos cães criados nos Estados Unidos está em plena explosão. Os importados dos Estados Unidos ao México duplicaram de 2.102 cães em 2002 para 4.402 em 2006.
Os especialistas dizem que foi a economia fortalecida do México que levou a esse aumento de donos de animais de estimação. Na Cidade de México, umas das zonas mais prósperas do país, cerca de 66% dos lares têm animais de estimação, segundo um estudo feito em 2005 pela consultora Mitofsky. A pesquisa porta a porta teve uma margem de erro de 5%.
“Como veterinário, vejo que as pessoas estão trazendo cada vez mais seus animais para serem tratados, quando antes não havia dinheiro para isso”, disse Miguél Ángel Robles, da Federación de Amantes de Perros en México, a maior associação desse tipo no país. “A economia está mais estável agora, então as pessoas tem um pouco mais de dinheiro para manter um gato ou um cachorro.”
Trata-se mesmo de um retorno triunfal das raças pequenas, que despertaram a curiosidade dos estrangeiros, assim que os conquistadores espanhóis os descobriram na capital asteca de Tenochtitlán, atual Cidade de México. Os viajantes norte-americanos descobriram esses cães nas fronteiras do estado de Chihuahua e começaram a comprá-los como souvenires.

Fonte: Infobae.com

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